domingo, 6 de dezembro de 2009

"Você coça muito forte os olhos, quase arranca, eu sei que dói mas pra mim também. E diz que tem preguiça, do Diadorim. E diz que tem medo, do longe de coisas como essa nossa. E eu penso, que no fundo, nem tão fundo, tenho também, demais.
E lá vou eu, a cada cinco minutos, namorar os flashes que você espalhou pela minha casa. Ainda que tudo não dê nem meia foto nossa, mal tirada. Se até o Natal você ainda gostar de mim eu prometo gostar de você também."

Tati Bernardi

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

No.                                    .meio da noite.
                                                                  .caiu 
.                                                                              .um pato
Estrondo!
E no meio da noite o pato caiu
A menina ficou em
                             bai
                                  xo
da janela
Lembrando que o pato veio de longe
Veio sozinho
Presente da avó
Chovia
E o pato caía

A menina desperta no meio da noite
A mãe lhe cobre
Chove
A mãe pragueja: O pato caiu

Pato, queda
Queda, parto.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Pássaro solto

Eu tornarei a beber
Na fonte onde outrora
Matei minha sede
Quando minha garganta
Estava qual chão do nordeste

Como pássaro frágil
Que quisesse mais
Do que lhe cabia o bico
Insatisfeito, bateu asas
E v o o        u

Andou distante, voando alto
Matando a sede de fonte em fonte
E se acaso caia
Alguma chuva de verão
Já não fazia caso em proteger-se

Esperava vir o sol
Arrumar-lhe as penas
E à dura sorte cantava
Um canto feliz

Retinha as lágrimas
E encantava
Com um matinal
Canto feliz

Pássaro frágil
Voava sozinho
Com penas azuis e tão belas
Em cima das árvores

Pássaro frágil, sem norte
Pássaro belo, canto forte
Lágrimas laterais

O caminho adiante é qualquer parte
O caminho de volta é seca
O ponto de partida
Te espera mais na frente

Esquiva-se
Pássaro belo e arredio
Pousa em cima de tua fonte cativa
Pousa, não repousa

Pássaro frágil, medroso
Indeciso
Sente-se um estranho
Em seu próprio ninho

Pássaro volta
Não como estrangeiro
Estrangeiro já fostes
Pra lá daqui

Aqui no ninho
O pássaro tem sede
A beleza é suportável
Mas não basta

Me pergunto se tornarei
A beber da fonte
Onde outrora matei minha sede
Feito o convite.

domingo, 29 de novembro de 2009

Eu te pergunto agora: cadê tua vida passada? Não, não existe uma vida passada como se a vida que tens agora fosse o presente e a anterior uma passada. Vida é eterna. Pra viver aquilo que chamamos de seu passado te foi necessária uma constante: vida. Viver é verbo que condiciona tudo. Então eu te pergunto: cadê o passado da tua vida? Cadê teu existir que ficou parado no tempo? Não tens em conta? Você vive aqui e agora como se tivesse entrado numa porta e deixado o teu  passado lá. Que tens a esconder? Até onde teu presente é fabricado ou é continuação a mesma constante? Quero saber!

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Altar Particular

Meu bem que hoje me pede pra apagar a luz
E pôs meu frágil coração na cruz
No teu penoso altar particular

Sei lá, a tua ausência me causou o caos
No breu de hoje eu sinto que
O tempo da cura tornou a tristeza normal

E então, tu tome tento com meu coração
Não deixe ele vir na solidão
Encabulado por voltar a sós

Depois, que o que é confuso te deixar sorrir
Tu me devolva o que tirou daqui
Que o meu peito se abre e desata os nós

Se enfim, você um dia resolver mudar
Tirar meu pobre coração do altar
Me devolver, como se deve ser

Ou então, dizer que dele resolveu cuidar
Tirar da cruz e o canonizar
Digo faço melhor do que lhe parecer

Teu cais deve ficar em algum lugar assim
Tão longe quanto eu possa ver de mim
Onde ancoraste teu veleiro em flor

Sem mais, a vida vai passando no vazio
Estou com tudo a flutuar no rio esperando a resposta ao que chamo de amor


(maria gadú)

segunda-feira, 23 de novembro de 2009


domingo, 22 de novembro de 2009

Essa mania de aparelhos eletrônicos nos faz querer desligar-nos às vezes, como quem tira da tomada e desliga, liga de novo somente quando quer. Infelizmente não é assim, o cérebro humano é uma vida contínua até que se desligue pra sempre, ou não, quem sabe? Minhas terminações nervosas tremem como que pedindo socorro pelo tanto de esforço que o cérebro faz involuntariamente. Essa mania de aparelhos eletrônicos nos deixa menos humanos, até em termos. Eu penso que queria travar, mas deve haver algum termo mais humano pra corpo. Afinal, desligar também não é um termo humano, embora tenha sido criado por humanos, usado por humanos e quase que essencialmente só possa ser executado enquanto ação por humanos. Não existe termo humano para desligar, nem dar um tempo, porque tempo não tem nada a ver com ser humano, apesar de também ser criação dele. Essa mania de aparelhos eletrônicos me fez desconhecer-me como humana e me reconhecer-me como máquina que não sou. Não, eu não defino o que é ser humano.